Aquele preto, tão preto
Co´aquela barba branca, tão preta
E aquele olhar tão meigo
De quem espera ganhar
Um sorriso incolor.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Eu achei o homem perfeito uma vez em dezoito anos e, bem, deixei ele escapar pelos dedos.
Era um equilíbrio entre a força masculina e a sensibilidade quase mediúnica de uma mulher.
Lia Richard Bach, refletia com o trecho famoso de Beleza Americana, me fez amar os dois filmes que contam um amor de um casal (Jesse e Céline) e tocar a pequena valsinha que Céline toca, em dado momento, à Jesse.
Amava gatos e tinha uma chamada Mimi. Foi pra São Paulo e nunca mais voltou.
Não deixou telefone, cortou todos os nossos laços desde que fechei aquele portão e entrei pelo segundo bloco sem olhar pra trás.
Tentou me ensinar a andar de bicicleta, mas foi deixando e deixando. Afinal, isso não fazia diferença entre nós. Nós. Eu e o móbile perdido no furacão.
sábado, 14 de novembro de 2009
Agora renova o gloss-urucum no espelho das ruas.
Pensa nos homens como um cemitério de sapatos que poderiam estar naquela vitrine.
Os homens são apenas um cemitério de sapatos que ficam embaixo das camas, enquanto nos comem ou nem isso.
Sapatos de bicos finos.
Sapatos bem engraxados.
Sapatos sujos na poeira do trabalho e dos dias.
Sapatos cujos bicos já pedem água.
Sapatos de todos os números.
Quantas vezes, como num mergulho, numa vertigem, avistara aquele cemitério de homens mortos de véspera na sua memória.
"Os homens já sobem mortos para as nossas camas", pensava ela.
Ela sempre gostou de dormir bem na beirada da cama, quase como se imaginasse que cairia dali em sonhos e seria levada por mares artificiais de filmes de Fellini.
(...)
"Naci para llorar", com Roberto Carlos, no portuñol levemente selvagem e casto de vossa majestade enquanto rei de la juventud brasileña.
(...)
Agora, como se o lindo rabo fosse la rendeción das dores do mundo, a pequena criatura rebola, saltos no horizonte, com "Walk On The Wild Side", do viejo Lou Reed, o hino de todas las calles do universo, seu mundo.
Ela ouve uma antologia eclética que abarca várias fases do seu quarto de século sob o signo de Sagitário.
Quando vai se aproximando mais uma vez dos becos das trevas, volta a ouvir aquela de Roy Orbinson, que descobriu recentemente em uma película:
"Llorando por ti,/ llorando por ti,/ y tú lo dijiste tan claro/ y me deixaste tan solo/ solo e llorando/ llorando, llorando, llorando..."
- Xico Sá -
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Bailarina, que salta e te ilumina quando a noite vem.
Ouvia apenas seus passos pelo salão. E quem mais poderia estar ali? Todos a haviam deixado, apesar das afeições e carinhos demonstrados.
Imitava Isabelle, mas cantava Quizas Quizas Quizas. Não se sentia mal sozinha. Assim podia dançar no ritmo que quisesse sem problema algum. Mas havia dias e dias.
Dias tristes. Tão tristes que se negava a dançar até mesmo ao blues mais blues. Dias frios, que nem mesmo Light my Fire do Doors fazia esquentar. Dias de lembranças. Ah, estes sempre foram os piores. Era neste ponto em que pegava o violão e tocava como Nara Leão, com os mesmos olhos tristes e voz de quem pede para o bem voltar. Vem e te senta do meu lado, ouve este sambinha que fiz só pra ti, vem.
Sentia saudade do que nunca foi. Maluca. Apaixonada pela ilusão, pobre criança.
Mas mesmo assim não negava seus olhares pela única janela aberta do salão. Dançava um tango. Sangue argentino fervendo por aqueles olhares.
Bebia um copo de esperança em pó dissolvida em futuro e voltava como bailarina. Doce, suave, lutando pela conquista entre pulos e aberturas.
Cansada, caía ao chão e usava seu coração de travesseiro para que conseguisse dormir.
Oração Odiosa
Deus,
Que todas as pessoas felizes saiam de perto de mim.
Que percebam que cansei de ser feita de palhaça.
Que não posso, não gosto, não quero.
E que todos os amantes morram afogados nas próprias promessas ocas e sem fundamento de sempre.
Amém
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
"Did you think about your bills, your ex, your deadlines
Or when you think you're gonna die
Or did you long for the next distraction?"
Or when you think you're gonna die
Or did you long for the next distraction?"
Bem, ando pensando muito em tudo e não achando nenhuma distração mesmo...
Por que?
Porque distração gera mais distração e eu quero um futuro. Um futuro ao lado de alguém que queira um futuro também e não só mais uma distração para um domingo a tarde.
Quem sabe não peço isso de Natal.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Vitrola, minha vitrola
Já passava das quatro da tarde quando, ao se dirigir à sala, se viu diante daquela que, apesar de não fazer parte da sua época, sempre fez parte da sua vida: a vitrola.
Lembrou que seu nome provinha de uma música dos Beatles que era constantemente tocada nela, que seu primeiro admirador nada secreto a viu dançar ao som dela pendurado na janela vizinha e que sua paixão pela música começou por causa dela.
Quem sabe por sua aparência sóbria ou pelo som tão presente, com todos seus chiadinhos...não saberia explicar o que a fez amar este aparelho, mas saberia dizer como toda essa fascinação começou.
Deveria ter seus quatro ou cinco anos quando ganhou seu primeiro disco da tia, um dos primeiros lançados pela "rainha dos baixinhos" Xuxa, esta que ninguém mais em casa suportava ouvir passado um tempo.
Se lembrava até hoje da sua irritação por não poder colocar a agulha sobre o disco para tocar pois sei pai receava que ela riscasse o mesmo, assim como suas brincadeiras envolvendo usar a vitrola como apoio para a rampa de disco que adorava fazer.
Após tantos devaneios ela passou da sala à cozinha para preparar um café, enquanto se dava conta que tudo havia mudado e que o conforto que a vitrola proporcionara à sua vida fora trocado pela frieza dos novos aparelhos de alta tecnologia.
Assinar:
Postagens (Atom)
